quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
terça-feira, 30 de junho de 2009

Sugestão
Sede assim – qualquer coisa
serena, isenta, fiel. Flor que se cumpre,
sem pergunta. Onda que se esforça,
por exercício desinteressado. Lua que envolve igualmente
os noivos abraçados
e os soldados já frios. Também como este ar da noite:
sussurrante de silêncios,
cheio de nascimentos e pétalas. Igual à pedra detida,
sustentando seu demorado destino.
E à nuvem, leve e bela,
vivendo de nunca chegar a ser. À cigarra, queimando-se em música,
ao camelo que mastiga sua longa solidão,
ao pássaro que procura o fim do mundo,
ao boi que vai com inocência para a morte. Sede assim qualquer coisa
serena, isenta, fiel. Não como o resto dos homens.
Cecília Meireles
terça-feira, 19 de maio de 2009
Emotions - The Bee Gees
but the heartache lives on inside oh.
And who's the one you're clinging to
instead of me to night?
And where are you now, now that I need you?
Tears on my pillow wherever you go,
I'll cry me a riv er that leads to your ocean
You never see me fall apart.
In the words of a broken heart
It's just emotion that's taken me over.
Caught up in sor row, lost in my soul.
But if you don't come back
Come home to me, darling,
You know there will be no body left in this world to hold me tight
Nobody left in this world to kiss goodnight,
Goodnight, goodnight, goodnight, goodnight.
I'm there at your side,
I'm part of all the things you are (aaah).
But you've got a part of someone else,
You've got to find your shining star.
And where are you now, now that I need you?
Tears on my pillow wherever you go
I'll cry me a river that leads to your ocean
You never see me fall apart.
In the words of a broken heart
It's just emotion that's taken me over.
Caught up in sor row, lost in my soul.
But if you don't come back,
Come home to me, darling,
You know there will be no body left in this world to hold me tight
You know there will nobody left in this world to kiss goodnight,
Goodnight, goodnight, goodnight, goodnight.
![]() |
| De |
Amar - Carlos Drumond de Andrade

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita,
e o beijo tácito,
e a sede infinita.
Carlos Drummond de Andrade
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Auto-retrato, Manuel Bandeira

Auto-retrato
Provinciano que nunca soube
Escolher bem uma gravata;
Pernambucano a quem repugna
A faca do pernambucano;
Poeta ruim que na arte da prosa
Envelheceu na infância da arte,
E até mesmo escrevendo crônicas
Ficou cronista de província;
Arquiteto falhado, músico
Falhado (engoliu um dia
Um piano, mas o teclado
Ficou de fora); sem família,
Religião ou filosofia;
Mal tendo a inquietação de espírito
Que vem do sobrenatural,
E em matéria de profissão
Um tísico profissional.
Manuel Bandeira
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Mujer

Mujer, yo hubiera sido tu hijo, por beberte
la leche de los senos como de un manantial,
por mirarte y sentirte a mi lado y tenerte
en la risa de oro y la voz de cristal.
Por sentirte en mis venas como Dios en los ríos
y adorarte en los tristes huesos de polvo y cal,
porque tu ser pasara sin pena al lado mío
y saliera en la estrofa —limpio de todo mal—.
Cómo sabría amarte, mujer, cómo sabría
amarte, amarte como nadie supo jamás!
Morir y todavía
amarte más.
Y todavía
amarte más
y más.
Pablo Neruda, 1923
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Do Desejo

Do Desejo
I
Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.
Antes, o cotidiano era um pensar alturas
Buscando Aquele Outro decantado
Surdo à minha humana ladradura.
Visgo e suor, pois nunca se faziam.
Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo
Tomas-me o corpo. E que descanso me dás
Depois das lidas. Sonhei penhascos
Quando havia o jardim aqui ao lado,
Pensei subidas onde não havia rastros.
Extasiada, fodo contigo
Ao invés de ganir diante do Nada.
II
Ver-te. Tocar-te. Que fulgor de máscaras.
Que desenhos e rictus na tua cara.
Como os frisos veementes dos tapetes antigos.
Que sombrio te tornas se repito
O sinuoso caminho que persigo: um desejo
Sem dono, um adorar-te vívido mas livre.
E que escura me faço se abocanhas de mim
Palavras e resíduos. Me vêm fomes
Agonias de grande espessuras, embaçadas luas
Facas, tempestade. Ver-te. Tocar-te.
Cordura.
Crueldade.
III
Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada a tua boca, mas descomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te sôfrega
Como se fosses morrer colado à minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer.
IV
Se eu disser que vi um pássaro
Sobre o teu sexo, deverias crer?
E se não for verdade, em nada mudará o Universo.
Se eu disser que o desejo é Eternidade
Porque o instante arde interminável
Deverias crer? E se não for verdade
Tantos o disseram que talvez possa ser.
No desejo nos vêm sofomanias, adornos
Inpudência, pejo. E agora digo que há um pássaro
Voando sobre o Tejo. Por que não posso
Pontilhar de inocência e poesia
Ossos, sangue, carne, o agora
E tudo isso em nós que se fará disforme?
V
Existe a noite, e existe o breu.
Noite é o velado coração de Deus
Esse que por pudor não mais procuro.
Breu é quando tu te afastas ou dizes
Que viajas, e um sol de gelo
Petrifica-me a cara e desobriga-me
De fidelidade e de conjura. O desejo
Este da carne, a mim não me faz medo.
Assim como me veio, também não me avassala.
Sabes por quê? Lutei com Aquele.
E dele também não fui lacaia.
Hilda Hilst
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
...estés donde estes...
terça-feira, 25 de novembro de 2008

PARA QUE FIQUES
A certeza vela atrás de um muro
ou dorme num poço
onde nada se escuta ou avista.
Sempre que partes, morro um pouco
por não saber se retornas.
Minhas mãos doem de tanto abrir-se
para que vás tranqüilo.
Só assim hás de querer estar comigo:
sem que eu insista.
(Fingir que te deixo livre
é um jeito egoísta
de amar.)
Lya Luft
domingo, 2 de novembro de 2008
domingo, 12 de outubro de 2008
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Caio Fernando Abreu
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Goehte
Por Danilo Corci
23/01/2004
Divulgação |
![]() |
Filho mais velho de Johann Kaspar Goethe e Katharina Elisabeth Textor Goethe, ele teve uma infância interessante. Seu pai, um famoso advogado, propiciou uma vida de conforto para o garoto. Muito jovem, mostrou que tinha muito talento para aprender rápido. E desenhar. Em 1759, um nobre francês com gostos estéticos refinados, passou uma temporada na casa da família Goethe. A amizade com o pequeno Johann abriu as portas para este mundo de estética para ele.
A amizade também ajudou a desenvolver sua inteligência. Alguns anos mais tarde, surgiu um teatro francês na cidade de Frankfurt e Goethe foi introduzido no universo de Racine. Também fez cursos de italiano, latim, grego, inglês e hebraico.
Mudou-se para Leipzig para cursar a universidade, com pretensão de fazer direito. Foi um desastre. Continuou escrevendo seus ensaios, desenhando. Teve tempo até para o amor, que foi desfeito porque Goethe ficou seriamente doente. Quando se recuperou, saiu de Leipzig para ir a Estrasburgo.
Na cidade ficou amigo de Jung-Stilling e sua paixão pela literatura aumentou. Homero era seu ícone. Com esforço, concluiu seu curso de direito e retornou a Frankfurt, em 1771. Com inúmeros textos em verso e prosa, ele começou sua carreira de crítico literário. Ao mesmo tempo, escreveu Goetz von Berlichingen e Os Sofrimentos do Jovem Werther, um clássico que introduziu a literatura romântica. Logo segui-se com Prometeus e em 1774 começou sua obra-prima, Fausto.
Nos anos subsequentes, ele produziu seus melhores poemas de amor, dedicados a Lilli Schönemann, filha de um banqueiro de Frankfurt. Porém, só a poesia foi o resultado desta devoção. Mas ele havia se tornado famoso e foi convidado pelo duque Carl August de Weimar para integrar sua corte. Goethe aceitou. Sua inteligente brutal o levou logo a Geheimrat, conselheiro privado do nobre.
Em Weimer tomava conta direta de construções de estrada, prédio e chegou a se tornar militar e acadêmico, ao mesmo tempo, além de fundar um teatro local. Mas nunca parou de escrever. Nesta época surgiram Iphigenie e Wilhelm Meister. Em 1787 ele foi para a Itália, passando por Nápoles, Pompéia, Roma e Milão. Ao retornar, começou a escrever Egmont. Em 1795, apresentou o jovem poeta e dramaturgo Friedrich von Schiller, do qual se tornou grande amigo e parceiro de trabalho.
Nesta época traduziu Voltaire, Diderot e Cellini. Em 1806, casou-se e Napoleão invadiu Weimar. O general francês simplesmente adorava Goethe, e acabou por condecorá-lo com a Cruz da Legião de Honra. Nos anos seguinte produziu gigantescamente. Em 1821, escreveu a segunda parte de Fausto, além de receber Beethoven e Thackeray em sua casa. No dia 22 de Março de 1832, muito doente, Johann Wolfgang von Goethe morreu discretamente e entrou para o hall dos mitos da literatura.
Poucos escritores viveram tanto quanto Goethe. Inúmeros casos de amor, sua paixão pela arte pictórica até o fim da vida resultaram em uma bagagem inigualável. Misticismo, comportamento, idéias, vícios, especulador. Isto era o que ele narrava com mestria. Isto era sua arte. E isto é a tônica da compreensão da humanidade.

.jpg)






